Bendada, Casteleiro, Moita, Santo Estêvão, Sortelha, Aldeia de Santo António, Águas Belas, Quintas de S. Bartolomeu, Baraçal, Vila do Touro e Rapoula do Côa, são as freguesias que fazem parte da lista negra deste incêndio.
Momentos de pânico e de aflição foram vividos pelas populações destas freguesias quando se viram cercados pelas chamas indomáveis e “dantescas” que devastaram e destruíram tudo por onde passaram. Homens e mulheres lutaram até não terem mais forças, na tentativa de salvarem aquilo que podiam. Longas foram as duas noites sem “pregarem olho” a tentarem defender o que era seu. Cerca de mil bombeiros (entre eles mulheres, militares, sapadores, GIPS, GAUF) de vários pontos do país vieram em auxílio e ajudaram a travar a força das chamas mas, em muitos casos, foram impedidos de desempenhar o seu trabalho, devido à inacessibilidade de certos terrenos. O céu do concelho foi sobrevoado por vários aviões de ataque inicial, de aviões bombardeiros pesados e helicópteros bombardeiros pesados Kamov, que vieram em socorro das populações, pois só eles conseguiam chegar aos sítios de difícil acesso. A brisa trazia consigo um cheiro a queimado desnorteante. O horizonte estava carregado pela imensa nuvem de fumo e fogo e o ar estava abafado pelo calor e pelas chamas. Mais de 50 horas de luta infernal que fazem deste incêndio o maior dos últimos anos, no concelho e o maior até agora, este ano, no país.
Um cenário de destruição e devastação foi o que o fogo deixou para trás. A equipa de reportagem do Cinco Quinas foi fazer o rescaldo do incêndio, e a paisagem é desolante e negra, tudo aquilo que antes era verde e tinha vida sucumbiu com a passagem das chamas, sobrando só as cinzas. Ao passar nas principais freguesias afectadas (Sortelha, foi sem dúvida a mais lesada, com um total de área ardida de mais de 3.000 hectares, Moita e Santo Estêvão, Casteleiro, Vila do Touro e Baraçal) um grande manto cinza/negro cobre esta nossa região. Árvores queimadas, algumas delas centenárias, palheiros assolados, animais selvagens e domésticos (gado) queimados e pastos destruídos, tudo misturado com um forte cheiro a queimado. Em muitos sítios ainda se via restos de árvores e a terra a fumegar. Algumas aldeias ainda não possuem telefone, nem têm como comunicar, devido aos postes terem sido fustigados pelas chamas. A tristeza é a palavra para descrever o semblante dos homens e mulheres que viram o seu trabalho e sustento ser engolido pelo fogo indomável, já para não falar do prejuízo, que esse, com certeza, ascende a uns largos milhares de euros.
Falta agora calcular a área total queimada (talvez mais de 15.000 hectares) e encontrar soluções para aqueles que tudo perderam, e que agora não têm meios para recuperar. O presidente da Câmara Municipal do Sabugal, Manuel Rito Alves, em declarações à Rádio TSF referiu que depois de contabilizados os prejuízos, os quais está convicto que serão elevados, equaciona a hipótese de declarar o estatuto de calamidade pública para que os prejudicados do concelho venham a receber apoios públicos para fazer face à catástrofe.
Um inferno dantesco lavrou esta paisagem bucólica e única, e deixou um cenário negro, triste e desolador. Assim como aconteceu com a Fénix, um pássaro da mitologia grega e egípcia que quando morria entrava em autocombustão e passado algum tempo renascia das próprias cinzas, é o que este concelho destruído precisa de fazer…RENASCER.